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September 03, 2002
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Alguns Italianos são anti-semitas (Portuguese)

O site Pletz.com publicou um artigo traduzido do Italiano que mostra como certos Italianos são anti-Semitas.

Quando o cemitério judaico em Roma foi destruído recentemente, trouxe à mente a controversa declaração feita pelo porta-voz da Câmara dos Deputados da Itália, Pier Ferdinando Casini - um membro de um partido de centro da coalizão do primeiro-ministro Silvio Berlusconi - que disse que o anti-semitismo é menos prevalecente na Itália do que em outros países. Acho necessário observar a distinção entre anti-semitismo intelectual e anti-semitismo popular.

O anti-semitismo popular é tão velho quanto a Diáspora. Nasceu de uma reação instintiva por parte das massas a um grupo de pessoas que eram diferentes, falavam uma língua não familiar que evocava rituais mágicos; um grupo de pessoas acostumadas a uma cultura das escrituras sagradas, com as quais os judeus aprendiam a ler e a escrever; eles cultivavam a medicina, os negócios, a prática de emprestar dinheiro - foi aí que nasceu o ressentimento nos olhos dos "intelectuais". O anti-semitismo rural na Rússia teve essas raízes.

Para o resto do artigo clique em baixo.

Os italianos são anti-semitas?
Por Umberto Eco
http://www.pletz.com/artigos/italia.html

Quando o cemitério judaico em Roma foi destruído recentemente, trouxe à mente a controversa declaração feita pelo porta-voz da Câmara dos Deputados da Itália, Pier Ferdinando Casini - um membro de um partido de centro da coalizão do primeiro-ministro Silvio Berlusconi - que disse que o anti-semitismo é menos prevalecente na Itália do que em outros países. Acho necessário observar a distinção entre anti-semitismo intelectual e anti-semitismo popular.

O anti-semitismo popular é tão velho quanto a Diáspora. Nasceu de uma reação instintiva por parte das massas a um grupo de pessoas que eram diferentes, falavam uma língua não familiar que evocava rituais mágicos; um grupo de pessoas acostumadas a uma cultura das escrituras sagradas, com as quais os judeus aprendiam a ler e a escrever; eles cultivavam a medicina, os negócios, a prática de emprestar dinheiro - foi aí que nasceu o ressentimento nos olhos dos "intelectuais". O anti-semitismo rural na Rússia teve essas raízes.

Certamente, a condenação cristã dos "escolhidos" pesou muito. Mas mesmo durante a Idade Média - sem falar do Renascimento - havia uma relação privada de interesses mútuos e respeito entre intelectuais cristãos e judeus. As massas desesperadas que acompanharam as Cruzadas e queimaram os guetos não estavam usando fundamentos doutrinários como motivo. Em vez disso, saíam apenas para saquear povoados. O anti-semitismo intelectual da forma que conhecemos hoje nasceu no mundo moderno. Em 1797, Abbey Barruel escreveu a biografia "Mémoires Pour Servir a L'histoire du Jacobisme" (Memórias para servir à história do Jacobinismo) para demonstrar que a revolução francesa foi um plano templário e maçônico.

Mais tarde, um certo Capitão Simonini (um italiano) alegou que nos bastidores os pérfidos judeus eram os que estavam movimentando o plano. Foi apenas depois desse ponto que começou a polêmica a respeito da cooperação internacional entre judeus - e os jesuítas tomaram posse desse trabalho. A polêmica floresce por toda a Europa mas encontra seu terreno mais fértil na França, onde agora o que acontece é as pessoas apontarem para as finanças judaicas como um inimigo a ser eliminado. Isso é certamente ajudado pela legitimação católica, apesar de ser dentro do reino dos comuns (secretamente) que elas lentamente tomam forma, começando de uma origem falsa: os notórios "Protocolos dos Sábios do Sião", que foram disseminados pela era czarista russa e por fim usados por Hitler.

Os "Protocolos" foram reunidos por meio da reciclagem de material de outros contos e revelam sua própria falta de confiabilidade. É difícil acreditar que os "do mal" tenham colocado no papel de uma forma tão descarada seus projetos covardes. Os sábios vão longe, a ponto de declarar que pretendem encorajar esporte e comunicação visual para calar a classe trabalhadora (de fato, essa última parte soa mais Berlusconiana do que judaica). E mesmo assim, por mais rude que fosse, constituiu anti-semitismo intelectual.

As pessoas poderiam concordar com o Honorável Casini e dizer que o anti-semitismo popular italiano foi menos forte do que em outros países europeus (por várias razões histórico-sociais e demográficas) e que no fim das contas o homem comum se opôs à perseguição racial dos judeus e o ajudou. Mas, na Itália, o anti-semitismo jesuíta doutrinal floresceu (é só pensar nos livros escritos pelo Padre Bresciani). O mesmo ocorreu com o anti-semitismo judaico, que no fim produziu aqueles famosos acadêmicos e escritores que colaboraram com a infamada revista "Em Defesa da Raça" e a edição dos "Protocolos" introduzida em 1937 por Julius Evola.

Evola escreveu que os "Protocolos" tinham "o valor de um estimulante espiritual", e "acima de tudo, nesses momentos decisivos da história ocidental, eles não podem ser negligenciados ou colocados de lado sem comprometerem seriamente aqueles que lutam em nome do espírito, da tradição e da verdadeira civilização". De acordo com Evola, os judeus estão na origem do princípio central da perversão da civilização ocidental: liberalismo, individualismo, igualitarismo, liberdade de pensamento, esclarecimento anti-religioso, com os vários apêndices que levam à revolta das massas e na direção do próprio comunismo.

É a função dos judeus, de acordo com Evola, "destruir qualquer sobrevivente da verdadeira ordem e da civilização diferenciada. ... (Sigmund) Freud é judeu, e sua teoria tem como objetivo reduzir a vida interior a instintos e forças subconscientes. Também judeu é (Albert) Einstein, que colocou a "relatividade" em voga. ... assim como (Arnold) Schoenberg e (Gustav) Mahler, principais expoentes da música da decadência. (Tristan) Tzara é judeu, e criou o Dadaísmo, o extremo limite da degradação da famosa arte de vanguarda. ... é a raça, é um instinto que está em funcionamento aqui. ... Agora é o momento no qual em todos os lugares emergem forças para a revolução, porque a face do destino para o qual a Europa está para ser sujeitada tornou-se clara.

É claro que a época de "conflito" pode ser encontrada confinada em um único bloco que é reforçado, inquebrável e irresistível. A Itália fez sua própria contribuição excelente ao anti-semitismo intelectual. Mas é apenas hoje que uma série de fenômenos nos faz acreditar que há um novo anti-semitismo popular, como se antigas sementes anti-semitas tivessem encontrado terreno fértil em outras formas de racismo áspero do tipo neo-céltico. E há provas de que os fundamentos doutrinários são sempre os mesmos: tudo o que precisa fazer é visitar sites racistas na internet ou acompanhar a propaganda anti-sionista em países árabes, e você verá que há pouco lá fora que seja diferente de uma reciclagem da idiotice que são os "Protocolos".

Nota: Cubs é um famoso time de baisebol norte-americano
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Umberto Eco é Intelectual, filósofo e autor de best-sellers como "O Nome da Rosa" e "O Pendulo de Focault" entre outros.

Artigo publicado no site iG.com.br em agosto de 2002

Posted by David Melle at September 03, 2002 02:17 PM
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